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ECA Digital proíbe loot boxes e exige segurança por padrão em jogos acessíveis a menores

Criança usa tablet em ambiente doméstico cercada de ícones de conectividade digital
Uso de dispositivos conectados por crianças está no centro das novas exigências do ECA Digital

A Lei nº 15.211/2025, o ECA Digital, em vigor desde março de 2026, chega a um setor que já concentra parte relevante do tempo digital de crianças e adolescentes no Brasil: segundo a TIC Kids Online Brasil, do Cetic.br/NIC.br, 52% dos brasileiros de 9 a 17 anos participaram de jogos online com outras pessoas em 2023, e 22% deles jogam mais de uma vez por dia. A pesquisa também mostra 23,4 milhões de usuários de internet nessa faixa etária em 2024, com 83% já mantendo perfil próprio em plataformas digitais.

A nova legislação proíbe caixas de recompensa — as loot boxes — em jogos eletrônicos direcionados a esse público ou de acesso provável por ele, e estabelece uma lógica de segurança por padrão: mecanismos de verificação de idade não podem depender apenas da autodeclaração do usuário, e funcionalidades de comunicação por texto, áudio ou vídeo devem vir limitadas por padrão, exigindo consentimento dos responsáveis para habilitação.

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Para Rodolfo Reis, CEO da Afterverse, estúdio brasileiro responsável pelo PK XD — um dos maiores jogos infantis do mundo, com mais de 1 bilhão de downloads —, a mudança é estrutural. “O ECA Digital coloca a segurança de crianças e adolescentes dentro do próprio desenho das experiências digitais. Isso significa pensar desde o desenvolvimento do produto até as ferramentas de interação, comunicação, privacidade e supervisão parental”, afirma. Segundo Reis, o desafio central será equilibrar proteção e autonomia: “Não podemos tratar proteção como sinônimo de proibição. O caminho está em oferecer ferramentas para que os pais participem dessa jornada, enquanto as empresas criam experiências proporcionais à idade.”

A fiscalização segue cronograma definido pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD): entre agosto e novembro de 2026, a fase é de adaptação e monitoramento de lojas de aplicativos e sistemas operacionais; a partir de janeiro de 2027, começam as ações de fiscalização voltadas especificamente à verificação de idade.

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