Sergio Gallucci aponta gargalos que travam a logística de armazenagem no agro

Sergio Gallucci, diretor Comercial e de Marketing da Tópico, fala sobre armazenagem e logística no agronegócio
Sergio Gallucci afirma que armazenagem estratégica é fundamental para reduzir gargalos logísticos no agronegócio brasileiro
Com safra recorde e pressão crescente sobre a infraestrutura logística brasileira, o agronegócio continua enfrentando dificuldades para armazenar e escoar a produção com eficiência. O avanço da produção não tem sido acompanhado pela expansão da capacidade de estocagem e pela fluidez do transporte, cenário que amplia custos e reduz competitividade em diferentes etapas da cadeia.

Nesse contexto, estruturas flexíveis de armazenagem vêm ganhando espaço em operações ligadas ao agro, logística, portos e retroportos. Segundo a Tópico, empresa especializada em galpões de lona e aço, fertilizantes e grãos lideram atualmente a demanda por esse tipo de solução, especialmente em operações que exigem rapidez de implantação e armazenagem intermediária.

Com mais de 2,5 milhões de metros quadrados instalados no Brasil, a companhia afirma que o modelo tem sido utilizado para reduzir gargalos operacionais e ampliar a capacidade logística em períodos de pico de safra. Em entrevista ao Motriz Brasil, Sergio Gallucci, diretor Comercial e de Marketing da Tópico, fala sobre os principais entraves da armazenagem no país, o impacto do “tempo parado” nos portos e a busca por soluções mais ágeis para o escoamento da produção.

Confira a íntegra da entrevista

Safra grande é boa notícia, mas costuma apertar logística. Onde o gargalo mais aparece hoje: na fazenda, no transporte, no porto, ou na falta de armazenagem entre um ponto e outro?

O gargalo hoje é distribuído, mas aparece com mais força entre o transporte e a armazenagem intermediária. A produção cresce, mas a capacidade de estocagem e a fluidez logística não acompanham no mesmo ritmo. Isso força o escoamento imediato, sobrecarrega rodovias e portos e reduz a eficiência da cadeia como um todo.

Na prática, o que significa “armazenar de forma estratégica” em vez de escoar imediatamente? Em que momento a armazenagem vira vantagem de negociação (preço, prazo, frete)?

Na prática é ganhar tempo. Em vez de escoar na pressão da safra, a empresa consegue segurar o produto e escolher o melhor momento de venda ou embarque. Isso impacta diretamente no preço, frete e até negociação com tradings. A armazenagem deixa de ser custo e passa a ser instrumento estratégico de gestão.

Quais produtos hoje mais pressionam a necessidade de galpão flexível (fertilizantes, grãos, açúcar, café, máquinas)? E por quê?

Fertilizantes e grãos são os que mais pressionam, por volume e sazonalidade. Mas também vemos demanda relevante em açúcar, café e até máquinas, principalmente quando há necessidade de estocagem temporária próxima a portos ou áreas industriais.

Vocês dizem que muitas estruturas ficam em portos e retroportos. O que mais dói nessas áreas: falta de espaço, burocracia, janela de navio, ou custo do “tempo parado”?

O maior custo hoje é o tempo parado. Falta de espaço e janela de navio impactam, mas o que realmente pesa é a ineficiência operacional, ou seja, a carga esperando para embarcar ou descarregar. Isso gera custo direto e efeito cascata em toda a cadeia.

Montar em menos de 30 dias muda o jogo em quais situações reais? Me dá um exemplo típico de urgência (pico de safra, atraso de navio, falta de silo, obra atrasada).

Principalmente em situações de urgência, como pico de safra, atraso de navio, falta de silo disponível ou quando uma operação cresce mais rápido que o previsto. Nesses casos, esperar meses por uma estrutura tradicional simplesmente não é viável.

Quando esse tipo de estrutura deixa de ser “solução pontual” e vira parte permanente da logística? O que precisa acontecer para a empresa decidir ficar por anos?

Quando a operação cresce e se estabiliza. Muitas empresas começam com uma demanda emergencial, mas, ao longo do tempo, percebem que aquela estrutura resolve de forma eficiente e passam a incorporar isso de forma definitiva na logística.

Em termos simples: quais são os riscos que um galpão precisa endereçar bem para não virar dor de cabeça (umidade, vento, piso, praga, segurança, seguro)?

De forma prática, elenco o seguinte: mecanismos para controle de umidade e vedação, resistência a vento e condições climáticas, qualidade do piso, proteção contra pragas, segurança operacional. Esses pontos precisam estar bem alinhados com os clientes para a estrutura ser uma solução, de fato. Soluções robustas garantem que o produto será bem protegido, e empresas sérias garantem que, em casos de necessidade de manutenção ou em qualquer emergência, o cliente não fique na mão. Mais que o produto, o serviço de qualidade e segurança na execução são os grandes diferenciadores para os galpões flexíveis.

O Brasil tem carência de armazenagem faz tempo. Por que esse problema não se resolveu antes: investimento alto, licenciamento, concentração de logística, ou falta de planejamento?

É uma combinação de fatores: alto investimento, dificuldade de acesso a crédito, especialmente com juros elevados, e falta de planejamento de longo prazo. A cadeia cresce mais rápido do que a infraestrutura consegue acompanhar — e é exatamente aí que entramos com soluções flexíveis de armazenagem: o modelo de locação oferece custos mais baixos, troca CAPEX por OPEX, é rápido e chega de forma ágil onde outras soluções não chegam. Temos galpões instalados em locais de difícil acesso, em estados remotos, em mineradoras, no agro, em operadores logísticos. Nossos clientes sabem que somos um parceiro confiável e que crescemos junto com eles.

Vocês têm investimento recorrente na expansão da base. O que está puxando essa demanda agora: fertilizantes, exportação, novas fronteiras agrícolas, ou reconfiguração dos portos?

Hoje, o crescimento está mais ligado à logística, setor portuário, mineração e indústria, que vêm puxando investimentos e demandando infraestrutura. O agro continua relevante, mas com ritmo mais moderado nos últimos anos.

Para fechar: olhando 2026, qual seria a medida mais “pé no chão” para reduzir o sufoco logístico do agro — sem prometer milagre?

Ganhos incrementais de eficiência. Melhor uso da infraestrutura existente, mais capacidade de armazenagem intermediária e soluções que possam ser implementadas rapidamente. Não é uma solução única, mas um conjunto de ajustes que reduzem o impacto dos gargalos no dia a dia.

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