IA passou de tendência para motor de crescimento no varejo

Henrique Carbonell, CEO e cofundador da F360, empresa especializada em gestão financeira para o varejo.
Henrique Carbonell é CEO e cofundador da F360 e autor do artigo sobre o uso da inteligência artificial no varejo. Foto Divulgação

Por *Henrique Carbonell, CEO e cofundador da F360

A inteligência artificial é uma das principais alavancas de eficiência e crescimento no varejo. A tecnologia passou a ocupar um papel central na tomada de decisão, na personalização da experiência e na gestão financeira. Se antes a discussão era sobre se a IA deve ser adotada, hoje falamos sobre como extrair valor real dela.

Os números ajudam a dimensionar essa transformação. No Brasil, 59% das empresas do varejo já utilizam inteligência artificial em suas operações, enquanto 90% pretendem ampliar os investimentos nos próximos meses, de acordo com levantamento realizado pela Zucchetti. Mais do que adoção, o impacto é concreto: 87% das companhias relatam ganho de produtividade com o uso da tecnologia. Isso mostra que a IA já está diretamente ligada à eficiência operacional e à competitividade no setor.

IA como diferencial competitivo no novo varejo

O varejo sempre foi um setor orientado por dados, mas a IA elevou esse patamar ao permitir análises preditivas em escala. Hoje, algoritmos conseguem antecipar demanda, ajustar preços dinamicamente e otimizar estoques com muito mais precisão. Isso reduz perdas, melhora o giro de produtos e aumenta a margem, pontos críticos para qualquer operação varejista.

Além disso, a inteligência artificial tem transformado a relação com o consumidor. Mais da metade dos brasileiros (52%) já utilizou IA para auxiliar nas decisões de compra, e 74% desses consumidores afirmam que a tecnologia influencia suas escolhas, de acordo com o Relatório do Varejo 2025 da Adyen. Isso significa que o processo de compra está cada vez mais mediado por recomendações inteligentes, exigindo que os varejistas estejam presentes nesses novos pontos de contato.

Segundo a Consultoria Bain & Company, 62% dos consumidores brasileiros já utilizam IA em algum nível no dia a dia, impulsionados principalmente pela busca por praticidade. Esse comportamento reforça a necessidade de experiências mais rápidas, personalizadas e integradas, algo que só é possível com o uso estratégico de dados e automação.

Do hype à aplicação prática

Apesar do avanço, o grande desafio do varejo não é mais acessar a tecnologia, mas aplicá-la de forma estruturada. Muitas empresas ainda concentram o uso de IA em frentes como marketing (57%) e atendimento ao cliente (54%), revela pesquisa realizada pela Zucchetti em parceria com a Central do Varejo, o que é importante, mas limitado. O verdadeiro potencial está na integração da IA com áreas financeiras, supply chain e gestão de performance.

O avanço da IA no varejo também escancara um desafio importante: muitas empresas ainda operam com dados fragmentados entre ERP, PDV, e-commerce, CRM e financeiro, o que limita a geração de inteligência realmente acionável. Em um cenário de juros elevados, consumo mais seletivo e margens pressionadas, o varejo perdeu espaço para ineficiência operacional.

É justamente nesse contexto que a IA começa a gerar impacto mais profundo. Quando integrada à gestão financeira e operacional, ela permite antecipar rupturas, reduzir excesso de estoque, identificar gargalos de rentabilidade, prever pressão sobre fluxo de caixa e acelerar decisões críticas quase em tempo real. O ganho não está apenas na automação, mas na capacidade de transformar dados dispersos em eficiência operacional e proteção de margem

O avanço também é visível em segmentos específicos. No varejo alimentar paulista, por exemplo, 80% dos supermercados já utilizam IA em suas operações, com aplicações que vão desde CRM e segmentação até automação de campanhas e análise em tempo real . Isso mostra que a tecnologia está se democratizando e chegando a diferentes portes e nichos do setor.

O futuro é orientado por dados, IA e capacidade de antecipação

As empresas que conseguirem integrar informações financeiras, operação e comportamento do consumidor terão mais previsibilidade para crescer e tomar decisões estratégicas. Isso vale não apenas para o varejo tradicional, mas também para segmentos como food service e serviços, que aceleram sua digitalização em busca de eficiência e escala.

Ao mesmo tempo, o mercado entra em um novo ciclo de transformação impulsionado pela reforma tributária e pela necessidade de modernização da gestão financeira. As empresas estão buscando parceiros estratégicos, capazes de apoiar com inteligência, conteúdo educativo e visão consultiva para lidar com mudanças complexas e ganhar competitividade.

Nesse contexto, a IA se torna parte da rotina das empresas. O ganho está na automação de processos, na redução de gargalos e na melhoria da tomada de decisão. Mas tecnologia, sozinha, não resolve. O diferencial estará na capacidade de execução, na formação de equipes preparadas e na construção de uma cultura orientada por dados e eficiência.

*Henrique Carbonell, CEO e cofundador da F360. Lidera a visão e estratégia da empresa, focando no crescimento sustentável e na transformação da gestão financeira no Brasil. Formado em Administração pela FAAP, Henrique criou a F360 após identificar a falta de ferramentas integradas para previsibilidade de caixa, conciliação de cartões e visão multicanal, desenvolvendo uma solução que une eficiência operacional e suporte estratégico.


Os artigos publicados na seção Opinião representam exclusivamente o ponto de vista de seus autores e não refletem necessariamente a posição editorial do Motriz Brasil.

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