As buscas no Google relacionadas ao custo de vida se movem em sintonia com as variações mensais da inflação, segundo estudo do IBEVAR e da FIA Business School. A pesquisa cruzou dados do IPCA, calculado pelo IBGE, com o Google Trends entre 2004 e 2026.
Os pesquisadores aplicaram o teste de cointegração de Engle-Granger às duas séries. No acumulado de longo prazo, o nível geral de preços e o volume de buscas não apresentaram uma trajetória comum. Quando a análise considerou as variações mensais, porém, os indicadores passaram a mostrar associação estatística.
O resultado sugere que o consumidor reage rapidamente a choques de preços, ainda que sua percepção não acompanhe o aumento acumulado ao longo de décadas. Termos como “tá tudo caro”, “preço do arroz” e “salário não dá” foram usados para compor o termômetro digital analisado.
O estudo estima em 2,3 meses o tempo necessário para dissipar metade do desvio entre a reação nas buscas e a inflação medida. A estabilização completa ocorreria em cerca de 7,7 meses.
Para Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, a diferença está entre perceber o ritmo da inflação e calcular seu efeito acumulado. O release informa o método e o período, mas o artigo técnico completo deve ser consultado antes de extrapolações causais.
