Materiais de candidatura produzidos com inteligência artificial generativa aumentaram o tempo para preencher vagas, segundo 74% dos responsáveis por contratação ouvidos pela Robert Half no Brasil. O atraso relatado supera duas semanas, enquanto 53% afirmaram enfrentar dificuldades com a proliferação de currículos e cartas elaborados com essas ferramentas.
A pesquisa foi conduzida on-line por uma empresa independente em junho de 2026, com 500 empregadores das áreas de Finanças e Contabilidade, Tecnologia da Informação, Suporte Administrativo e ao Cliente, Jurídico e Engenharia.
Entre os entrevistados, 21% apontaram dificuldade para distinguir documentos autênticos de materiais produzidos com auxílio de IA. Um terço das empresas informou ter acrescentado entrevistas ou etapas complementares para verificar habilidades e experiências apresentadas pelos candidatos.
Para Caio Arnaes, diretor de mercado da Robert Half, a padronização dos materiais torna insuficiente a avaliação baseada apenas no currículo. “A tecnologia pode apoiar tanto as candidaturas quanto o recrutamento, mas a validação das competências continua exigindo avaliação humana e verificações adicionais”, afirma.
O desafio ocorre em um mercado no qual 42% das empresas pesquisadas pretendem ampliar as equipes permanentes no segundo semestre. Processos mais longos podem dificultar a contratação de profissionais disputados, sobretudo nas áreas cobertas pelo levantamento.
