SP acelera estruturas náuticas, mas R$ 21 bilhões ainda são meta

Programa estadual prevê 60 estruturas públicas; edição também reúne os resultados do Spotify, a expansão da ISA Energia Brasil e movimentos da Cannect e da Maria Brasileira.

O Programa Turismo Náutico Paulista prevê R$ 50 milhões para implantar 60 estruturas públicas até 2033, segundo o governo de São Paulo. A administração estadual projeta elevar de R$ 6,3 bilhões para R$ 21 bilhões a movimentação econômica do setor no período. O valor de R$ 21 bilhões é uma meta de longo prazo, não um resultado já alcançado.

O governo informa ter entregado 11 estruturas públicas nos últimos três anos, com investimento de R$ 14,5 milhões, e prevê outras 21 em 2026. Para essa nova etapa, foi anunciado um pacote de R$ 45 milhões. É necessário esclarecer se esse montante está incluído nos R$ 50 milhões previstos para o programa ou se representa investimento adicional.

Em janeiro de 2026, o estado formalizou convênios de mais de R$ 11 milhões com os municípios de Santa Clara d’Oeste, Paranapanema e Teodoro Sampaio. Criado por decreto em novembro de 2024, o programa reúne ações de infraestrutura, financiamento, qualificação profissional e preservação ambiental.

A execução da política poderá ser avaliada pelo número de estruturas efetivamente entregues, sua distribuição territorial, o nível de utilização e a atividade econômica gerada. Também será necessário acompanhar os gastos com manutenção, fiscalização, segurança da navegação e licenciamento. O São Paulo Boat Show, previsto para setembro, pode indicar o interesse comercial do setor, mas não substitui a divulgação de indicadores públicos sobre investimentos e resultados do programa.

Spotify chega a 300 milhões de assinantes e amplia lucro

O Spotify alcançou 300 milhões de assinantes pagos no segundo trimestre de 2026, alta de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior e um milhão acima da projeção da companhia. A plataforma encerrou junho com 777 milhões de usuários ativos mensais, avanço de 12%, mas um milhão abaixo do previsto. A América Latina esteve entre as regiões que sustentaram o crescimento trimestral, embora a empresa não divulgue dados específicos do Brasil.

A receita somou € 4,777 bilhões, crescimento de 14% sobre o segundo trimestre de 2025. O lucro operacional avançou 61%, para € 655 milhões, e a margem bruta chegou a 33,4%, apontada pela companhia como a maior já registrada. O fluxo de caixa livre alcançou € 797 milhões.

A receita do serviço Premium cresceu 15%, impulsionada pela ampliação da base de assinantes e pelos reajustes de preços. A receita publicitária avançou 1%. Segundo o Spotify, o aumento do volume de anúncios relacionados a música foi parcialmente compensado por preços mais baixos.

As despesas operacionais subiram no trimestre, principalmente por causa dos gastos com marketing, serviços de nuvem e inteligência artificial. No período, a plataforma lançou podcasts personalizados por IA e adicionou quatro idiomas ao recurso DJ, entre eles o português brasileiro.

Para o terceiro trimestre, o Spotify projeta 788 milhões de usuários ativos mensais, 305 milhões de assinantes e receita de € 5 bilhões. A previsão mantém o crescimento da base paga, enquanto a publicidade continua avançando em ritmo inferior ao das assinaturas.

Receita da ISA cresce 21%, mas lucro recua

A ISA Energia Brasil registrou receita líquida de R$ 1,24 bilhão no segundo trimestre, alta de 21% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a companhia, o resultado foi impulsionado pela entrada em operação de projetos de transmissão e pela execução de reforços e melhorias de grande porte. Excluído o componente financeiro da Rede Básica do Sistema Existente, a receita operacional avançou 52%, para R$ 779,2 milhões.

O crescimento da operação não se refletiu na mesma proporção no lucro. Pelos critérios regulatórios, o Ebitda subiu 22%, para R$ 966,9 milhões, enquanto o lucro líquido caiu 32%, para R$ 173,9 milhões. A companhia atribuiu a redução ao aumento das despesas financeiras relacionadas ao endividamento utilizado para sustentar seu plano de expansão.

Os investimentos somaram aproximadamente R$ 1,1 bilhão no trimestre. Desse total, R$ 445,4 milhões foram destinados a reforços e melhorias e R$ 608,1 milhões a projetos licitados.

Nos últimos 12 meses, entraram em operação os projetos Água Vermelha, Riacho Grande e Jacarandá, em São Paulo, e Piraquê, entre Minas Gerais e Espírito Santo. Os quatro empreendimentos passaram a ter direito a uma Receita Anual Permitida de R$ 487,7 milhões no ciclo regulatório 2026/2027.

A ISA ainda prevê R$ 4,6 bilhões em investimentos nos projetos Serra Dourada e Itatiaia, com entrada em operação programada até 2028. A empresa também possui uma carteira de R$ 7,2 bilhões em reforços e melhorias autorizados pela Aneel. Em julho, captou R$ 1,2 bilhão por meio de uma oferta primária de ações. O balanço retrata uma operação em expansão, acompanhada pelo aumento das despesas financeiras no curto prazo.

Cannect compra Pill e avança no varejo farmacêutico digital

O Grupo Cannect, empresa de saúde conhecida pela atuação com produtos de cannabis medicinal, adquiriu a farmácia digital Pill. O valor da transação não foi divulgado. Segundo a compradora, a aquisição acrescentará cerca de 17 mil itens ao catálogo, e a integração das operações deverá ser concluída nos próximos três meses.

A transação amplia a atuação comercial da Cannect para além dos produtos de cannabis. O grupo informa ter atendido 100 mil pacientes e atribui à Pill uma base de 150 mil clientes. O comunicado não esclarece se há sobreposição entre os dois públicos, o que impede calcular o número de clientes da operação combinada.

A Cannect projeta faturamento superior a R$ 200 milhões até o fim de 2028. A empresa também informa crescimento de mais de 300% em relação ao exercício anterior, mas não apresenta o faturamento atual nem a base utilizada na comparação. Os números, portanto, representam informações e projeções da própria companhia.

Fundada em 2021, a Pill opera como farmácia digital. Um relatório publicado pela Unimed Nacional em 2024 informou que a empresa era responsável pela plataforma Cuidarfarma, que reunia mais de 15 mil produtos naquele momento. A Cannect afirma que, depois da integração, pretende oferecer consulta, prescrição, compra de produtos e acompanhamento do tratamento em uma mesma jornada. O comunicado não detalha como os serviços e as bases de dados serão unificados.

Maria Brasileira mira 70% do faturamento com clientes empresariais

A rede de franquias de limpeza Maria Brasileira estabeleceu a meta de obter 70% de seu faturamento com clientes empresariais até 2027. A estratégia amplia o foco da marca para além dos serviços residenciais, mas o comunicado não informa a participação atual do segmento corporativo.

Também não está claro se a meta considera o faturamento conjunto das unidades franqueadas ou somente a receita da franqueadora. A distinção é necessária porque o valor movimentado por toda a rede não corresponde à receita contábil da empresa responsável pela marca.

A Maria Brasileira informa ter encerrado 2025 com faturamento de R$ 207 milhões e projeta alcançar R$ 228,5 milhões em 2026, crescimento de aproximadamente 10,4%. A rede declara possuir mais de 520 unidades no país, sem detalhar quantas estão efetivamente em operação.

Para clientes empresariais, o portfólio inclui limpeza recorrente, serviços pós-obra, limpeza de vidros, sanitização e revitalização de ambientes. A empresa não divulgou o número de contratos ativos, o valor médio, a duração dos acordos ou a participação de grandes clientes na carteira.

A estratégia ocorre em um período de expansão do setor de franquias de limpeza e conservação. Segundo a Associação Brasileira de Franchising, o faturamento do segmento cresceu 13,8% no primeiro trimestre de 2026. O indicador abrange todo o setor e, isoladamente, não permite medir a demanda por serviços empresariais nem a possibilidade de a rede atingir a meta anunciada.

Bracol reformula botas para operações industriais

A Bracol relançou as linhas de botas de segurança Iron e Titan com uma nova modelagem voltada a trabalhadores da logística, mineração, siderurgia, construção civil e outros ambientes industriais. Segundo a fabricante, as alterações buscam melhorar o encaixe, a estabilidade e o conforto durante jornadas prolongadas.

As coleções possuem versões com proteção do metatarso, resistência a altas temperaturas, isolamento para risco elétrico, absorção de impacto no calcanhar e solado desenvolvido para reduzir escorregamentos. Os modelos também contam com material refletivo na região traseira, biqueira de material composto e palmilha resistente à perfuração.

Uma barra estabilizadora inserida na entressola foi projetada para reduzir o risco de torções em superfícies como pedras, trilhos e pisos irregulares. O solado possui ainda um sistema de travamento destinado a atividades realizadas sobre estruturas curvas, como andaimes tubulares.

A nova modelagem pode ser produzida em couro ou microfibra resistentes à umidade. De acordo com a Bracol, os materiais internos favorecem a ventilação, enquanto a palmilha de poliuretano distribui a pressão e absorve impactos. Nos modelos Titan, um protetor de material polimérico acrescenta proteção contra impactos sobre a parte superior do pé.

A empresa informa que os produtos possuem Certificado de Aprovação e atendem às normas técnicas brasileiras aplicáveis aos equipamentos de proteção individual. A Bracol produz calçados e botas impermeáveis em cinco unidades industriais e declara capacidade de 55 mil pares por dia.

Mais dados não garantem decisões melhores

A ampliação do uso de dashboards, relatórios em tempo real e ferramentas de análise não garante, por si só, decisões empresariais mais eficientes. A avaliação é de executivos da ST-One, empresa de ciência de dados voltada à indústria, que apontam a falta de maturidade analítica como um dos obstáculos à transformação das informações em ações práticas.

Para Guilherme Francescon Cittoli, cofundador e diretor de produto da empresa, parte das organizações construiu estruturas sofisticadas de monitoramento sem definir com clareza quais indicadores devem orientar suas decisões. O resultado pode ser um acúmulo de métricas sem conexão direta com os objetivos do negócio.

Giovanni Abate Neto, diretor de tecnologia da ST-One, afirma que o excesso de indicadores pode dificultar a interpretação dos cenários. Segundo ele, métricas de visibilidade, downloads ou crescimento isolado podem receber mais atenção do que informações relacionadas a eficiência operacional, desempenho financeiro ou comportamento dos clientes.

Os executivos também destacam que a automação não elimina a necessidade de interpretação humana. Sistemas podem reunir informações, identificar padrões e acelerar análises, mas decisões continuam dependendo da avaliação do contexto, das exceções e dos riscos envolvidos.

Na avaliação da empresa, governança de dados, integração entre sistemas e capacitação das equipes precisam acompanhar os investimentos em tecnologia. Sem esses elementos, a multiplicação de ferramentas e indicadores pode aumentar o volume de informação sem melhorar a qualidade das decisões.

A Coluna do Motriz é publicada diariamente. Sugestões de pauta podem ser enviadas para redacao@motrizbrasil.com.br.

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