PicPay prepara oferta de US$ 500 milhões em Nova York

Interior do escritório do PicPay com pessoas trabalhando e o logotipo verde da empresa ao fundo.
Fintech prepara abertura de capital nos Estados Unidos, com captação estimada em US$ 500 milhões.

IPO pode ser adiado para 2026 por causa do shutdown americano, mas movimento reforça avanço das fintechs brasileiras nos EUA

O banco digital PicPay planeja abrir capital nos Estados Unidos ainda em 2025, com uma captação estimada em US$ 500 milhões, segundo informações divulgadas pela Bloomberg e repercutidas por veículos do setor. A operação, que envolveria o Citigroup, o Royal Bank of Canada e o Bank of America, faz parte da estratégia da holding J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, de expandir os negócios financeiros do grupo.

Com a paralisação parcial do governo americano — que afetou temporariamente as atividades da Securities and Exchange Commission (SEC) —, há possibilidade de o processo ser adiado para 2026. Mesmo assim, as tratativas continuam e podem incluir outros bancos na estrutura da operação.

Criado em 2012 por empreendedores capixabas e adquirido posteriormente pela J&F, o PicPay se consolidou como uma das principais plataformas de pagamentos do país, pioneira no uso de QR Code para transferências instantâneas. A empresa encerrou 2024 com lucro líquido de R$ 252 milhões, sete vezes superior ao do ano anterior, e receita de R$ 5,6 bilhões, crescimento de 61% na comparação anual. No primeiro semestre de 2025, o lucro atingiu R$ 208,4 milhões, quatro vezes mais que no mesmo período de 2024.

O movimento segue o caminho aberto por outras fintechs brasileiras que buscaram capital no mercado norte-americano. O caso mais emblemático é o do Nubank, que realizou seu IPO na Bolsa de Nova York em 2021, levantando US$ 2,6 bilhões e atraindo mais de 800 mil investidores individuais. Na estreia, o banco foi avaliado em US$ 41,5 bilhões, tornando-se o banco mais valioso da América Latina e superando instituições tradicionais como Itaú e Bradesco.

Para analistas do setor, a possível listagem do PicPay confirma o amadurecimento do ecossistema de tecnologia financeira no país. A presença de fintechs brasileiras na bolsa americana consolida o Brasil como um dos polos mais dinâmicos da América Latina em inovação e captação internacional de recursos.

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