A Citroën volta ao cenário mundial das competições com um movimento que combina memória e reinvenção. A estreia na Fórmula E, no próximo sábado (06) em São Paulo, marca o retorno da marca a um campeonato global após seis anos afastada e resgata um espírito esportivo que sempre acompanhou sua história. Ao ingressar na categoria elétrica, a fabricante reafirma a vocação para unir engenharia, desafio e presença simbólica nas pistas, algo que no passado foi decisivo para consolidar sua reputação.
O teste realizado em Valência no fim de outubro reforçou essa impressão de seriedade técnica. Foram mais de 2.000 quilômetros cumpridos com consistência, repetição e foco, à maneira tradicional das equipes que preferem construir competitividade com base em quilometragem e método, não em atalhos. A equipe chega ao Brasil com uma leitura realista do próprio potencial e com o entendimento de que uma estreia bem executada define o tom de toda a temporada.
O palco da primeira prova é o já conhecido circuito urbano do Sambódromo do Anhembi, um traçado de 2,933 quilômetros marcado por longas retas, curvas lentas e piso irregular. É um desafio clássico de controle, precisão e disciplina, um daqueles cenários em que o piloto precisa administrar energia, freios e tração para se manter competitivo. A edição do ano passado foi tumultuada, com bandeira vermelha e dois safety cars, o que reforça a imprevisibilidade natural da prova e exige da equipe uma postura estratégica madura.
A Citroën escolheu dois pilotos experientes para conduzir essa fase inicial. Nick Cassidy, vencedor na categoria e já habituado ao ambiente de São Paulo, carrega boas lembranças do pódio conquistado na Temporada 9 e destaca a força do público brasileiro, sempre um componente emocional adicional para quem compete aqui. Jean-Éric Vergne, bicampeão, ressalta que toda preparação só ganha sentido quando o carro finalmente vai para a pista. Ambos sabem que o primeiro desafio não é apenas buscar resultado, mas consolidar ritmo, entendimento técnico e um espírito de equipe que costuma definir o futuro de um projeto novo.
A temporada 2025 da Fórmula E reúne algumas das principais cidades do mundo e segue ampliando sua presença global, mas para a Citroën tudo começa em São Paulo, um lugar onde o automobilismo nunca perdeu sua dimensão cultural. A marca chega com humildade competitiva, tecnologia refinada e respeito ao ofício. Se essa combinação se mantiver ao longo do ano, há espaço para transformar a estreia em um capítulo marcante da trajetória esportiva da Citroën.